domingo, 1 de dezembro de 2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Congresso Brasileiro de 2013: A Busca Por Boas Evidências



Analisar artigos para saber se são bons não é nem nunca foi uma tarefa fácil porque mais do que uma tarefa, é uma habilidade.

PRIMEIRO PASSO

O primeiro passo para identificar um artigo bom é perceber se ele é VÁLIDO. O maior e melhor padrão-ouro em Anestesia é o ensaio clínico randomizado. Isso por si só já ajuda a perceber que outros tipos de estudo são "um pouco" menos importantes porque estão mais propensos a tendenciosidades. 

O leitor deve ser capaz de identificar se houve randomização, se ela foi adequada, se houve mascaramento, se ele foi adequado e se os pacientes foram analisados corretamente ou se houve perda de dados.

SEGUNDO PASSO

O segundo passo é perceber se o artigo possui IMPORTÂNCIA. 

Eu acredito que a forma mais fácil de ver isso é analisar os dados e como eles foram calculados. O primeiro dado a ser visto é se houve cálculo do amanho da amostra ou se o autor do trabalho escolheu os pacientes ou participantes sem critérios. 

Os testes estatísticos devem também ser acessados. Os mais utilizados são: t de student, qui-quadrado e a estatística descritiva.

O teste t de student só pode ser utilizado para duas médias e dados com distribuição normal (a grosso modo com pelo menos 30 participantes em cada grupo).

O teste do qui-quadrado analisa proporções ou porcentagem. Se o número de participantes for menor que 30 ele não deve ser utilizado. Se o número de participantes for menor que 100 ele deve ser corrigido.

TERCEIRO PASSO

O terceiro e último passo é ver a APLICABILIDADE.

É necessário ver os critérios de inclusão, exclusão, descrição da intervenção e se o leitor acredita que os resultados podem ser reproduzidos na prática por ele ou por qualquer colega de profissão. 

A conclusão deve demonstrar plausibilidade biológica. 

Por exemplo: A conclusão diz que 300 mcg de morfina no neuroeixo abole em definitivo a dor. Ok. Mas e os efeitos adversos desta dose:? (foram ou não pesquisados?).  

É ISSO AI!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Coagulopatia do Trauma



A coagulopatia do trauma não é um tipo ou variação de COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA.

A coagulopatia que ocorre no trauma já se inicia antes mesmo do paciente chegar ao hospital e seu gatilho parece ser a hipotensão arterial sistêmica.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Remifentanil: um fármaco com potencial para induzir um estado de maior necessidade de analgesia pós-operatória, é realmente necessário para a prática clínica?

A International Association of the Study of Pain diz que hiperalgesia é uma resposta aumentada a um estímulo que normalmente sieria doloroso. O uso do remifentanil permite que o paciente tenha maior percepção da dor e pode estar associado a um estado de hiperalgesia induzida pelo opióide.

Guignard et al. realizaram estudo em 2000 realizaram estudo e perceberam que as doses de remifentanil acima de 0,3 mcg/kg/min induziam a um maior consumo de opióide no pós-operatório e que o fentanil poderia estar sendo o responsável diretamente por este achado. A partir deste estudo os anestesiologistas resolveram respeitar esta dose como se fosse dose segura para prevenir o surgimento da hiperalgesia. Schmidt et al. realizaram estudo em 2007 demonstrando que este estado de hiperalgesia pode ser mais frequente em procedimentos com duração maior que 3 horas.

Em fim, a limitação a dose de 0,3, citada cima, permite-nos duvidar que todos os pacientes apresentem a mesma resposta favorável a esta dose, uma vez que seres humanos são complexos e biologicamente diferentes. A percepção sobre isto existe na prática clínica de diversas formas, tais como: uso de condutas diversas para impedir o surgimento da hiperalgesia induzida pelo opióide, associação de técnicas anestésicas, uso do outros opióides em associação com remifentanil e uso de doses maiores de opióides fortes antes mesmo do término da cirurgia. Um fármaco que requer tantos cuidados deveria ter suas indicações revistas uma vez que a satisfação do paciente no cenário das pesquisas clínicas vem sendo relegada a segundo plano.

São necessários mais estudos clínicos com delineamento adequado demonstrando que variáveis clínicas importantes como mortalidade, qualidade de vida e grau de satisfação são afetados positivamente pelo uso do remifentanil.


  1. Guignard B, Bossard AE, Coste C, et al. Acute opioid tolerance: intraoperative remifentanil increases postoperative pain and morphine requirement. Anesthesiology 2000;93:409-17.
  2. Schmidt S, Bethge C, Forster MH, Schafer M. Enhanced postoperative sensitivity to painful pressure stimulation after intraoperative high dose remifentanil in patients without significant surgical site pain. Clin J Pain 2007;23:605-11. doi:10.1097/AJP.0b013e318122d1e4.
  3. Konopka KH, van Wijhe M. Opioid-induced hyperalgesia: pain hurts? Br J Anaesth. 2010 Nov;105(5):555-7. doi: 10.1093/bja/aeq286.