Este blog contém material sobre anestesiologia e áreas afins. Caso você queira postar algum relato ou sugerir temas e textos enviar material para fabianotimbo@yahoo.com.br.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Mortalidade em Anestesia: Raquianestesia
Resumo aos leigos
Esta foi uma carta enviando a Revista Brasileira de Anestesiologia abordando a mortalidade da raquianestesia e da anestesia peridural quando a cirurgia é realizada na metade inferior do corpo. embora existam muitas pesquisas nesta área, praticamente não se consegue ver uma mortalidade maior que 5% e isto é muito bom porque vendo pelo outro lado 95% das pessoas que recebem anestesia na coluna saem vivas. Trocando as palavras para cada 20 pacientes operados haveria uma chance, disse chance e não fato ou morte, de 1 paciente vir a falecer.
E quando se diz chance se fala em probabilidade e não em certeza.
Carta ao editor-chefe da Revista Brasileira de Anestesiologia
Existe
Diferença de Mortalidade da Anestesia Neuroaxial Quando Comparada a Anestesia
Geral para Procedimentos Cirúrgicos Abaixo da Cicatriz Umbilical?
Prezado
editor-chefe,
O debate
sobre a influência da escolha da técnica anestésica sobre a mortalidade nas
cirurgias realizadas na metade inferior do corpo permanece ainda nos dias de
hoje. Apesar da discordância que existe entre os clínicos a maioria concorda
que múltiplos fatores possam influenciar a taxa de mortalidade, tais como:
presença de comorbidades, porte da cirurgia, o método de anestesia escolhido e
a qualidade do atendimento perioperatório prestado. 1 Algumas
pesquisas têm sido feitas na tentativa de elucidar a influência da escolha da
técnica anestésica neste cenário considerando e medicina baseada em evidências. 2-4 Os
ensaios clínicos randomizados podem trazer respostas definitivas a perguntas de
pesquisa que envolvam intervenções e as revisões sistemática podem auxiliar na
identificação das melhores evidências até determinado momento assim como
orientar futuras pesquisas. 5
Rodgers
et al. analisaram 141 estudos incluindo 9559 pacientes e constataram que a
mortalidade pode ser até 30% menor a favor da anestesia neuroaxial.2 Algumas
críticas devem ser feitas: a análise incluiu pacientes que receberam anestesia
para cirurgias acima da cicatriz umbilical, diversas especialidades cirúrgicas
foram analisadas com pacientes submetidos a cirurgias de especialidades diferentes
e foi utilizada analgesia peridural por pelo menos 24 horas após o
procedimento. Estas considerações impedem que os resultados sejam generalizados
e reforçam a importância de que estudos mais individualizados sejam realizados
para responde definitivamente a pergunta.
Os
pacientes submetidos à cirurgia vascular foram analisados em uma revisão
sistemática demonstrando que a incidência de pneumonia no grupo submetido à
anestesia geral foi maior, porém sem impacto significativo na mortalidade que
não mostrou diferença entre os grupos de análise. 3
Os
pacientes submetidos à cirurgia urológica foram avaliados numa revisão
sistemática realizada e publicada no Brasil.4 As drogas
utilizadas, as técnicas anestésicas escolhidas e as variáveis analisadas foram
diferentes entre os estudos selecionados impossibilitando a realização dos
cálculos de metanálise. A mortalidade foi analisada em três estudos. 6-8 Em
um estudo os resultados não foram apresentados porque o desfecho foi analisado
como variável secundária.6 Em dois estudos não houve diferença
entre os grupos analisados. 7,8
Os
pacientes submetidos à cirurgia ortopédica estão sendo analisados em pesquisa
ainda não concluída, porém os dados de ensaios clínicos aleatórios publicados
até o momento parecem ser conflitantes e as revisões sistemáticas existentes
estão desatualizadas tendo em vista o surgimento de novos fármacos. 9
A
diferença de mortalidade da anestesia neuroaxial quando comparada a anestesia
geral para procedimentos abaixo da cicatriz umbilical ainda não está
estabelecida e a resposta a esta pergunta de pesquisa ainda não é definitiva.
São necessários mais ensaios clínicos randomizados considerando número
suficiente de participantes e adequado tempo de seguimento após o procedimento
cirúrgico. A escolha da técnica anestésica dependerá do bom senso do
profissional perante cada situação clínica.
Atenciosamente,
Referências
1. Gulur P,
Nishimori M, Ballantyne JC - Regional anaesthesia versus general anaesthesia,
morbidity and mortality. Best Pract Res Clin Anaesthesiol, 2006;20(2):249-263.
2. Rodgers A,
Walker N, Schug S et al - Reduction of postoperative mortality and morbidity
with epidural or spinal anaesthesia: results from overview of randomised
trials. BMJ,
2000;321:1–12.
3. Barbosa FT, Jucá MJ, Castro AA, Cavalcante JC.
Neuraxial anaesthesia for lower-limb revascularization. Cochrane Database of Systematic Reviews. Em: The
Cochrane Library, Volume 11. DOI: 10.1002/14651858.CD007083.pub1
4. Barbosa FT, Castro AA - Neuraxial anesthesia
versus general anesthesia for urological surgeries: systematic review. Sao
Paulo Med J, 2013; em processo de publicação.
5. Barbosa FT, editor. Introdução a Revisão
Sistemática: A Pesquisa do Futuro. [livro na Internet]. 2013. [Acesso em: 20
fev 2013]. Disponível em: http://bit.ly/lrs01.
6. Brown DR,
Hoter RE, Patterson DE et al - Intrathecal anesthesia and recovery from radical
prostatectomy: a prospective, randomized, controlled trial. Anesthesiology,
2004;100(4):926-934.
7. Shir Y, Raja
SN, Frank SM - The effect of epidural versus general anesthesia on
postoperative pain and analgesic requirements in patients undergoing radical
prostatectomy. Anesthesiology, 1994;80(1):49-56.
8. McGowan SW,
Smith GF - Anaesthesia for transurethral prostatectomy. A comparison of spinal
intradural analgesia with two methods of general anaesthesia. Anaesthesia,
1980;35(9):847-853.
9. Barbosa FT,
Castro AA. Mortality frequency of the neuraxial anesthesia compared to general
anesthesia for orthopedic surgeries: systematic review. PROSPERO
2012:CRD42012002678. Disponível em:
http://www.crd.york.ac.uk/PROSPERO/display_record.asp?ID=CRD42012002678.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Resumo para leigos
A reação alérgica continua sendo um problema durante a execução da anestesia. A informação positiva é que os casos graves, choque anafilático, são raros. Os principais causadores em anestesia são: os bloqueadores neuromusculares (succinilcolina, atracúrio, rocurônio, etc) e o látex. O uso da camisinha pode ter propiciado sensibilidade nas pessoas. O tratamento ainda é com adrenalina.
Informação aos profissionais
Um bom artigo para se ler é:
Michalska-Krzanowska G. Anaphylactic reactions during anaesthesia and the perioperative period. Anaesthesiol Intensive Ther. 2012 Aug 8;44(2):104-11.
Clique aqui.
terça-feira, 2 de abril de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
Reação Anafilática
Eu tive mais um caso de alergia, só que desta vez, REAÇÃO ANAFILÁTICA-ANAFILACTÓIDE, ou reação do tipo anafilática, ou se quiserem ainda conhecida "vulgarmente" como choque anafilático.
Respondendo logo ao que todo mundo me pergunta quando conto o caso:
"-SOBREVIVEU."
O caso foi o seguinte: a paciente iria retirar uma infecção da perna (debridamento) e optei por anestesia na coluna (raquianestesia). Durante a administração de fármacos fiz bupivacaina e fentanil, porém não fiz antibióticos porque a mesma já vinha usando para tratar a perna. Após 20 minutos de espera ela começou a sentir suor intenso (sudorese), mal estar, dor no peito (pré-cordialgia) e pressão arterial muito baixa (hipotensão arterial sistêmica). A cirurgia não havia começado, não haviam utilizado iodo na paciente e nenhum antibiótico foi administrado. Só poderia ter sido o fentanil ou a bupivacaina. Utilizei hidratação na veia (venosa) para a paciente com baixas dose de adrenalina. Ela melhorou. Fiz então decadron (dexametasona).
Aós o caso: procurei a doente para lhe relatar o ocorrido e a mesma me falou que sente a mesma reação quando recebe tramal (tramadol) que é um parente do fentanil.
ADRENALINA
A adrenalina ainda é a droga de escolha para ser utilizada no salvamento dos pacientes. É o único antagonista natural da histamina que é o vilão da história. Secundáriamente já se admite utilizar vasopressina, mas nos casos refratários ao tratamento.
MORTE
Os pacientes pensam que tudo que dá alergia MATA e tudo que MATA foi alergia. Atualmente estamos mais preparados para os casos de alergia:
a) Descobrimos que o salvamento é possível com ADRENALINA;
b) A reação na pele nem sempre aparece;
c) A hidratação é sempre bem binda;
d) Os agentes que causam com mais frequência são afastados da prática anestésica.
AFORISMA
"Em anestesia, quando uma medicação produz alergia, todos os medicamentos daquela classe de fármacos deve ser evitada."
CUIDADOS
Se você tem dúvidas, procure fazer seus testes antes da anestesia e leve sua listinha para a sala de cirurgia. Garanto que ela será respeitada em 100% dos itens.
terça-feira, 19 de março de 2013
Awake - A vida por um fio
O filme trata uma intercorrência rara em anestesia, memória para fatos ocorridos durante a cirurgia em pacientes sob anestesia geral, em meio a um drama. Clayton Beresford (Hayden Christensen) tem tudo que um menino rico deve ser para ser um campeão da felicidade, porém sua saúde não é a mesma que seu estado de espírito. Durante a trama ele é conduzido a sala de cirurgia para a realização de um transplante de coração. Jack Harper (Terrence Howard) é o médico encarregado de sua cirurgia, porém o mesmo monta uma farça com Sam Lockwood (Jessica Alba) que é a noiva do seu paciente. O anestesista, isento da trama criminosa, acaba realizando uma anestesia que permite ao paciente ouvir o que se passa ao seu redor e daí ocorre a descoberta do jogo assassino no qual está envolvido.
A condição que é trabalhada no filme pode ocorrer em algumas condições especiais sob anestesia geral, como: grávidas, idosos, traumatizados e pacientes em grave estado geral. Atualmente existe um aparelho na prática médica que permite medir a profundidade anestésica, Bis, e que praticamente fez desaparecer esta intercorrência tornando a prática ainda mais segura ao paciente anestesiado.
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